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Capítulo 16

 16
O sepulcro vazio. 1 Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus. 2 De manhã cedo, no primeiro dia depois do sábado, ao nascer do sol, elas foram ao túmulo. 3 Diziam entre si: “Quem nos vai remover a pedra da entrada do túmulo?”4 Mas, quando olharam, viram a pedra removida; e era uma pedra muito grande. 5 Entrando no túmulo, viram um jovem sentado à direita, vestido de branco , e se assustaram. 6 Ele lhes falou: “Não vos assusteis! Estais procurando Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou; não está aqui. Vede o lugar em que o puseram. 7 Mas ide dizer aos discípulos e a Pedro que ele irá à frente de vós para a Galiléia. Lá o vereis como ele vos disse”. 8 Perplexas, elas saíram do sepulcro e fugiram apavoradas. E não disseram nada a ninguém, pois estavam com medo.
 Aparições do Ressuscitado. 9 Tendo Jesus ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena  , da qual havia expulsado sete demônios. 10 Foi ela que deu a notícia aos que tinham vivido com ele, mas que estavam de luto e choravam. 11 Quando ouviram dizer que Jesus estava vivo e tinha sido visto por ela, não acreditaram.
12 Mais tarde, Jesus apareceu de outra forma a dois discípulos  que se dirigiam para o interior. 13 Eles também voltaram e deram a notícia aos outros, mas nem mesmo neles acreditaram.
Missão dada aos apóstolos. 14 Por fim apareceu aos Onze, quando estavam à mesa. Repreendeu-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não terem acreditado nos que o tinham visto ressuscitado dos mortos. 15 E lhes disse: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. 16 Quem crer e for batizado será salvo.  Mas quem não crer será condenado. 17 Os sinais que acompanharão os que crerem são estes: em meu nome expulsarão demônios  , falarão línguas novas  , 18 pegarão serpentes  e, se beberem veneno, não lhes fará mal. Imporão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados”.
 Ascensão de Jesus. 19 Depois de lhes falar, o Senhor Jesus foi elevado ao céu  e sentou-se à direita de Deus. 20 Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a Palavra com os sinais que a acompanhavam.

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Capítulo 15

 15
Jesus condenado por Pilatos. 1 Logo ao amanhecer, os sumos sacerdotes com os anciãos e escribas, bem como os demais membros do Sinédrio, reuniram-se em conselho. Depois levaram Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos. 2 Pilatos perguntou-lhe: “És tu o rei dos judeus?”Jesus respondeu: “Tu o dizes”. 3 Os sumos sacerdotes o acusavam de muitas coisas. 4 Pilatos perguntou outra vez: “Nada respondes? Vê de quanta coisa te acusam!”5 Jesus, porém, não respondeu mais nada  , de modo que Pilatos ficou admirado. 6 Por ocasião da Festa da Páscoa, Pilatos costumava soltar um dos presos que eles pedissem. 7 Na prisão havia um, chamado Barrabás, preso com os revoltosos que haviam cometido um homicídio na rebelião. 8 A multidão subiu e começou a pedir o que sempre lhe costumava conceder. 9 Pilatos perguntou-lhes: “Quereis que eu vos solte o rei dos judeus?”10 Pilatos bem sabia que os sumos sacerdotes o haviam entregue por inveja. 11 Mas os sumos sacerdotes instigaram a multidão para que, de preferência, lhes soltasse Barrabás.
12 Pilatos lhes perguntou de novo: “Que quereis, pois, que eu faça deste a quem chamais de rei dos judeus?”13 Eles gritaram: “Crucifica-o!”14 Pilatos, porém, perguntou: “Mas que mal fez ele?”Eles gritaram mais forte ainda: “Crucifica-o!” 15 Pilatos, querendo agradar o povo, soltou-lhes Barrabás. Quanto a Jesus, depois de tê-lo mandado açoitar, entregou-o para ser crucificado.
Jesus escarnecido pelos soldados. 16 Os soldados o conduziram para dentro do pátio, isto é, para o pretório, e convocaram todo o batalhão. 17 Vestiram-lhe um manto de púrpura e o coroaram com uma coroa tecida de espinhos. 18 E começaram a saudá-lo: “Salve, rei dos judeus”. 19 Batiam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e curvavam o joelho para reverenciá-lo. 20 Depois de caçoarem dele, tiraram-lhe o manto de púrpura e o vestiram com suas vestes.
Jesus é crucificado. Depois conduziram-no para fora a fim de o crucificarem. 21 Para carregar a cruz, requisitaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo, que vinha da lavoura. 22 Levaram Jesus a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer “lugar da Caveira”. 23 Ofereceram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não bebeu. 24 Assim que o crucificaram,repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte  para saber o que cada um levaria. 25 Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. 26 A inscrição com o motivo de sua condenação dizia: O rei dos judeus.
27 Com ele crucificaram dois bandidos: um à direita e outro à esquerda. 29 Os que passavam o injuriavam e, balançando a cabeça,  diziam: “Ah! tu, que destróis o Santuário e o reconstróis em três dias  , 30 salva-te agora descendo da cruz”. 31 Do mesmo modo os sumos sacerdotes com os escribas caçoavam dele, dizendo: “Ele salvou os outros, a si mesmo não pode salvar. 32 O Cristo, o rei de Israel! Desça agora da cruz para que vejamos e acreditemos”. Também os que foram crucificados com ele o insultavam.
A morte de Jesus. 33 Chegando o meio-dia, toda a região ficou coberta de escuridão, até às três da tarde. 34 Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte: Eloí Eloí, lemá sabachthani! O que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?  35 Alguns dos que ali estavam ouviram isso e diziam: “Vede! Ele está chamando Elias”. 36 Um deles foi correndo embeber uma esponja em vinagre  , colocou-a na ponta de uma vara e deu-lhe de beber, dizendo: “Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo da cruz”.
37 Mas Jesus deu um forte grito e expirou. 38 A cortina do Santuário rasgou-se  de alto a baixo, em duas partes. 39 O oficial romano, que estava diante dele, vendo-o morrer assim, disse: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus”.
40 Havia ali também algumas mulheres, que olhavam de longe. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago Menor e de José, e Salomé. 41 Elas seguiam e serviam a Jesus quando estava na Galiléia. Havia também muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém.
O sepultamento. 42 A tarde já tinha caído e, como era o dia da Preparação, isto é, a véspera do sábado, 43 veio José de Arimatéia, um membro ilustre do tribunal dos judeus que também esperava o reino de Deus. Ele entrou com coragem na casa de Pilatos e pediu o corpo de Jesus. 44 Pilatos ficou admirado de que ele já houvesse morrido. Mandou chamar o oficial e perguntou se Jesus já estava morto. 45 Informado pelo oficial, deu o cadáver a José. 46 Depois de ter comprado um lençol de linho, José retirou o corpo da cruz, envolveu-o no lençol e o depositou num túmulo escavado na rocha. Em seguida, rolou uma pedra sobre a entrada. 47 Maria Madalena e Maria, mãe de José, olhavam onde o estavam depositando.

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Capítulo 14

 14
IV. HUMILHAÇÃO E GLÓRIA DO FILHO DE DEUSAs autoridades conspiram. 1 Dois dias depois era a festa da Páscoa e dos Pães sem Fermento. Os sumos sacerdotes e os escribas procuravam uma ocasião para prender Jesus à traição e matá-lo. 2 Eles diziam: “Não seja durante a festa, para não haver tumulto entre o povo”.
A unção em Betânia. 3 Jesus estava à mesa, em Betânia, na casa de Simão, o leproso, quando chegou uma mulher com um vaso feito de alabastro, cheio de perfume de nardo legítimo, de grande valor. Quebrando o vaso de alabastro, derramou-lhe o perfume na cabeça. 4 Alguns, porém, ficaram indignados e comentavam: “Para que tanto desperdício de perfume? 5 Poderia ser vendido por mais de trezentas moedas de prata para distribuí-las aos pobres”. E reclamavam dela. 6 Jesus, porém, disse: “Deixai-a em paz! Por que a incomodais? Ela fez uma boa ação para comigo. 7 Porque pobres sempre os tendes convosco e podeis fazer-lhes o bem quando quiserdes. A mim não me tendes sempre. 8 Ela fez o que pôde: ungiu meu corpo com antecipação para a sepultura. 9 Eu vos asseguro que, em qualquer parte do mundo onde o Evangelho for anunciado, será também contado, em sua memória, o que ela fez”.
O traidor. 10 Judas Iscariotes, um dos Doze, foi falar com os sumos sacerdotes, para lhes entregar Jesus. 11 Ao ouvirem isso, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E Judas buscava a ocasião oportuna para entregá-lo.
A Páscoa com os discípulos. 12 No primeiro dia da Festa dos Pães sem Fermento, quando se sacrificava o cordeiro pascal  , perguntaram-lhe os discípulos: “Onde queres que te preparemos tudo para comeres a Ceia da Páscoa?”13 Jesus enviou dois dos discípulos, dizendo: “Ide à cidade, e virá ao vosso encontro um homem carregando um cântaro de água. Segui-o 14 e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: ‘O Mestre pergunta: onde está a sala em que vou comer a Ceia da Páscoa com os meus discípulos?’15 Ele vos mostrará uma grande sala mobiliada e pronta. Fazei ali os preparativos para nós”. 16 Os discípulos foram até a cidade. Acharam tudo como Jesus lhes havia dito e prepararam a Ceia da Páscoa.
17 Chegada a tarde, Jesus dirigiu-se para lá com os Doze. 18 Enquanto estavam à mesa e comiam, Jesus disse: “Eu vos asseguro: um de vós, que come comigo, há de me entregar”. 19 Começaram a ficar tristes, e um depois do outro lhe perguntou: “Por acaso serei eu?”20 Jesus respondeu-lhes: “É um dos Doze, que põe comigo a mão no prato. 21 Na verdade, o Filho do homem segue o seu caminho como dele está escrito; mas ai daquele por quem o Filho do homem for traído! Melhor seria para esse homem não ter nascido”.
Jesus institui a Eucaristia. 22 Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e pronunciou a bênção. Depois partiu o pão e deu-lhes  , dizendo: “Tomai, isto é o meu corpo”. 23 Em seguida, tomando um cálice, depois de dar graças, entregou-lhes, e todos beberam. 24 Ele lhes disse: “Isto é o meu sangue da Aliança, derramado por muitos. 25 Eu vos asseguro: Já não beberei do fruto da videira até o dia em que beberei vinho novo no reino de Deus”.
Pedro negará Jesus. 26 Depois de terem cantado os salmos, saíram para o monte das Oliveiras. 27 Jesus lhes disse: “Todos ficareis decepcionados comigo, porque está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão. 28 Mas, depois de ressuscitar, irei à vossa frente para a Galiléia”.29 Pedro, porém, lhe disse: “Ainda que todos fiquem decepcionados contigo, eu nunca”. Jesus lhe disse: “Eu te asseguro que hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante pela segunda vez, já me terás negado três vezes”. 31 Mas Pedro repetia com maior insistência: “Ainda que eu tenha de morrer contigo, não te negarei”. E todos diziam o mesmo.
Agonia de Jesus no Getsêmani. 32 Chegaram a um sítio chamado Getsêmani e Jesus disse a seus discípulos: “Sentai-vos aqui enquanto vou orar”. 33 Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a sentir medo e angústia, 34 e lhes disse: “Minha alma está triste até à morte. Ficai aqui e vigiai”.35 Adiantou-se um pouco, caiu por terra e pedia que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. 36 Ele dizia: “Abba, Pai  , tudo te é possível: afasta de mim este cálice, mas não seja o que eu quero, senão o que tu queres”. 37 Voltou e encontrou os discípulos dormindo e disse a Pedro: “Simão, dormes? Não foste capaz de vigiar uma hora? 38 Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto mas a carne é fraca”. 39 Afastou-se de novo e orou dizendo as mesmas palavras. 40 Voltou outra vez e achou-os dormindo, porque tinham os olhos pesados de sono; eles não sabiam o que responder. 41 Voltou pela terceira vez e disse-lhes: “Dormi agora e descansai… Basta! Chegou a hora. O Filho do homem será entregue às mãos dos pecadores. 42 Levantai-vos! Vamos! Já se aproxima quem me vai entregar”.
Jesus é traído e preso. 43 Jesus ainda estava falando, quando chegou Judas, um dos Doze, junto com um bando armado de espadas e cacetes, enviado pelos sumos sacerdotes, escribas e anciãos. 44 O traidor lhes tinha dado esta senha: “Aquele a quem eu beijar é Jesus; prendei-o e levai-o com cuidado”. 45 Tão logo chegou, Judas aproximou-se de Jesus e disse: “Mestre!”E o beijou. 46 Eles agarraram Jesus e o prenderam. 47 Um dos presentes tirou da espada, feriu o escravo do Sumo Sacerdote, decepando-lhe a orelha. 48 Mas Jesus tomou a palavra e lhes disse: “Saístes para prender-me como se eu fosse um ladrão, com espadas e cacetes? 49 Todos os dias estava convosco, ensinando no Templo  , e não me prendestes. Mas isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras”. 50 Então todos o abandonaram e fugiram. 51 Um jovem, envolto apenas num lençol de linho, estava seguindo Jesus, e eles o prenderam. 52 Mas ele largou o lençol e fugiu nu.Jesus condenado pelo tribunal. 53 Conduziram Jesus à casa do Sumo Sacerdote, onde se reuniram todos os sumos sacerdotes, escribas e anciãos. 54 Pedro seguiu Jesus de longe, até dentro do pátio do Sumo Sacerdote. Sentou-se com os guardas junto ao fogo e se aquecia. 55 Os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus, para condená-lo à morte, mas não o achavam. 56 Muitos apresentavam falsos testemunhos contra Jesus, mas os depoimentos não concordavam. 57 Levantaram-se, então, alguns que deram o seguinte falso testemunho: 58 “Ouvimos Jesus dizer: ‘Eu destruirei este Santuário feito por mãos humanas e em três dias edificarei outro que será feito não por mãos humanas’”. 59 Mas nem neste ponto eram coerentes os depoimentos.
60 Então o Sumo Sacerdote levantou-se no meio da reunião e perguntou a Jesus: “Nada respondes ao que estes depõem contra ti?”61 Jesus, porém, permanecia calado e nada respondia. O Sumo Sacerdote tornou a perguntar: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus bendito?” 62 Jesus respondeu:
 “Eu sou!
E vereis o Filho do homem
sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu ”.
63 Então o Sumo sacerdote rasgou as vestes e exclamou: “Que necessidade temos de mais testemunhas? 64 Ouvistes a blasfêmia. O que vos parece?” E todos o julgaram merecedor de morte. 65 Alguns começaram a cuspir nele, cobriam-lhe o rosto e o esbofeteavam, dizendo: “Adivinha!”Os guardas também lhe davam bofetadas.
A negação de Pedro. 66 Pedro estava embaixo, no pátio. Chegou, então, uma das criadas do Sumo Sacerdote. 67 Ela fixou os olhos em Pedro, que se aquecia, e disse: “Tu também estavas com Jesus de Nazaré”. 68 Ele, porém, negou: “Não sei, nem mesmo compreendo o que dizes”. Depois ele afastou-se para a entrada do pátio; nisso o galo cantou. 69 A criada o viu de novo e começou a dizer aos presentes: “Este homem faz parte do grupo deles”. 70 Mas Pedro negou pela segunda vez. Pouco depois, os que ali se encontravam disseram de novo a Pedro: “De fato, tu és um deles, pois és galileu”. 71 Então Pedro começou a praguejar e a jurar: “Não conheço o homem de quem estais falando”. 72 Neste instante o galo cantou pela segunda vez. Pedro lembrou-se então das palavras que Jesus lhe tinha dito: “Antes que o galo cante duas vezes, tu me terás negado três vezes”. Então, caindo em si, Pedro começou a chorar.

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Capítulo 13

 13
O Templo será destruído. 1 Quando Jesus saiu do Templo, um dos discípulos lhe disse  : “Mestre, olha que pedras e que construções!” 2 E Jesus lhe disse: “Vês estas grandes construções? Não ficará aqui pedra sobre pedra; tudo será destruído”.
3 Quando estava sentado no monte das Oliveiras, em frente do Templo, Pedro, Tiago, João e André perguntaram-lhe em particular  : 4 “Dize-nos, quando acontecerá isso e qual é o sinal de que tudo isso vai acabar?”
O início das calamidades. 5 Jesus começou a dizer-lhes: “Cuidado para ninguém vos enganar. 6 Muitos virão em meu nome e dirão: ‘sou eu’, e enganarão a muitos. 7 Quando ouvirdes falar de guerras e boatos de guerras, não vos perturbeis: é preciso que isso aconteça; mas ainda não é o fim. 8 Porque uma nação se levantará contra outra e um reino contra outro. Haverá terremotos e fome em diversos lugares. Isso será o começo dos sofrimentos. 9 Cuidai, porém, de vós mesmos. Sereis arrastados aos tribunais e açoitados nas sinagogas, comparecereis diante de governadores e reis por minha causa, para dardes testemunho diante deles. 10 Mas primeiro é necessário que o Evangelho seja pregado a todas as nações. 11 E, quando vos levarem para entregar, não vos preocupeis com o que haveis de falar. Dizei o que na hora vos for inspirado, pois não sereis vós que falareis e sim o Espírito Santo. 12 O irmão entregará à morte o irmão, o pai entregará o filho. Os filhos se levantarão contra os pais e os matarão. 13 Todos vos odiarão por causa do meu nome. Quem perseverar até o fim será salvo.
A grande tribulação. 14 Quando virdes o Abominável Devastador instalado onde não deve –quem lê, entenda –então os que estiverem na Judéia fujam para os montes. 15 Quem estiver no terraço não desça nem entre para levar alguma coisa de casa. 16 Quem estiver na lavoura não volte atrás para pegar o manto. 17 Ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentando naqueles dias. 18 Orai para que não aconteça no inverno. 19 Pois aqueles dias serão de tal aflição como jamais houve desde o princípio do mundo,  que Deus criou, até agora  , e nem haverá. 20 Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria. Mas ele os abreviou por causa dos eleitos que escolheu. 21 Então se alguém vos disser: ‘eis aqui o Cristo’ou ‘ei-lo ali’, não acrediteis. 22 Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas que farão sinais e prodígios, para seduzir, se possível, até os escolhidos. 23 Prestai atenção: Eu vos preveni de tudo.
A vinda do Filho do homem. 24 Mas naqueles dias, depois dessa aflição, o sol escurecerá e a lua não dará sua claridade, 25as estrelas cairão  do firmamento e os poderes do céu  serão abalados. 26 Então verão o Filho do homem vir sobre as nuvens  com grande poder e glória. 27 Ele enviará os anjos e reunirá os eleitos dos quatro ventos, desde o extremo da terra até o extremo do céu.
Aprendei da figueira. 28 Aprendei a parábola da figueira: Quando os ramos estão tenros e as folhas brotam, sabeis que o verão está próximo. 29 Assim também quando virdes acontecer estas coisas, ficai sabendo que o Filho do homem está próximo, às portas. 30 Eu vos asseguro: Não passará esta geração antes que tudo isso aconteça. 31 Passará o céu e a terra, minhas palavras não passarão.
É preciso vigiar. 32 Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho,  mas somente o Pai. 33 Ficai de sobreaviso e vigiai, porque não sabeis quando será o momento. 34 Será como um homem que, ao partir para o exterior, deixa a casa e delega autoridade aos escravos, indica o trabalho de cada um e dá ordens ao porteiro para vigiar. 35 Vigiai, pois não sabeis quando o senhor da casa voltará, se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo ou pela manhã, 36 para que não aconteça que, vindo de repente, vos encontre dormindo. 37 O que eu vos digo, digo a todos: Vigiai!”

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Capítulo 12

 12
A rejeição do Filho de Deus. 1 Jesus começou a falar-lhes em parábolas: “Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, escavou um tanque para esmagar as uvas, construiu uma torre u  e arrendou tudo a uns lavradores. Depois viajou para o exterior. 2 No tempo da safra, enviou um de seus escravos para receber dos lavradores a sua parte dos frutos da vinha. 3 Pegaram o escravo, espancaram-no e o mandaram de volta de mãos vazias. 4 Tornou a enviar-lhes então outro escravo. Também a este feriram a cabeça e maltrataram. 5 O senhor enviou-lhes ainda um terceiro. A este, porém, mataram. Mandou outros mais, dos quais espancaram alguns e mataram a outros. 6 Restava-lhe ainda um: o seu filho querido. Enviou-lhes este último, pensando: ‘Eles vão respeitar o meu filho!’7 Mas os lavradores disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro! Vamos matá-lo e a herança será nossa!’8 Pegaram o filho do patrão, mataram-no e o jogaram fora da vinha. 9 O que fará o dono da vinha? Virá e acabará com estes lavradores e arrendará a vinha a outros. 10 Não lestes a passagem da Escritura:
A pedra rejeitada pelos construtores
é que se tornou a pedra principal.
11Foi obra do Senhor,
digna de admiração para nossos olhos? ”
12 Eles procuravam prender Jesus mas tinham medo do povo. É que perceberam que Jesus havia contado a parábola contra eles. Então deixaram Jesus e foram embora.
O tributo de César. 13 Enviaram-lhe alguns dos fariseus e herodianos para o pegarem em alguma palavra. 14 Eles chegaram e disseram a Jesus: “Mestre, sabemos que és sincero, que não te comprometes com ninguém, pois não olhas para a aparência das pessoas mas ensinas o caminho de Deus segundo a verdade. É justo pagar imposto a César ou não? Devemos pagar ou não?”15 Mas Jesus, vendo a hipocrisia deles, respondeu: “Por que me testais? Deixai-me ver a moeda do imposto”. 16 Eles mostraram. E Jesus lhes perguntou: “De quem é essa imagem e inscrição?”Eles responderam: “De César”. 17 Então lhes disse: “Dai a César o que é de César  e a Deus o que é de Deus”. E ficaram admirados com ele.
A ressurreição dos mortos. 18 Alguns dos saduceus, que afirmam não haver ressurreição, vieram procurar Jesus e lhe perguntaram:  19 “Mestre, Moisés nos deixou escrito: Se morrer o irmão de alguém,  deixando a mulher sem filhos, case-se com ela o irmão dele para dar descendência ao morto. 20 Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem deixar filhos. 21 O segundo casou-se com a viúva mas também morreu sem deixar filhos. Do mesmo modo o terceiro, 22 e dos sete nenhum deixou filhos. Por último de todos morreu também a mulher. 23 Na ressurreição, quando todos ressuscitarem, de quem será a mulher? pois os sete a tiveram por mulher”. 24 Jesus lhes respondeu: “Acaso não vos enganais, desconhecendo as Escrituras e o poder de Deus? 25 Porque na ressurreição dos mortos, as pessoas não se casam, nem se dão em casamento, mas são como os anjos no céu.
26 E quanto aos mortos que vão ressurgir, não lestes no livro de Moisés, no episódio da sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? 27 Ele não é Deus de mortos mas de vivos. Andais muito enganados”.
O mandamento do amor. 28 Aproximou-se de Jesus um dos escribas que ouvira a discussão. Vendo que Jesus tinha respondido bem, perguntou-lhe: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?”29 Jesus lhe respondeu: “O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor, 30e amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, com toda a alma,  com toda a mente e com todas as forças. 31 O segundo é este: Amarás o próximo como a ti mesmo. Não há mandamento maior do que estes”. 32 O escriba lhe disse: “Muito bem, Mestre, com razão disseste que Deus é um só e fora dele não há outro,  33 e amá-lo de todo o coração, com todo o entendimento e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo  vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios”.34 Jesus, vendo que ele tinha falado com sabedoria, disse-lhe: “Não estás longe do reino de Deus”. E ninguém mais ousava fazer-lhe perguntas.O Messias e Davi. 35 Jesus tomou a palavra e ensinava no Templo, dizendo: “Como os escribas podem dizer que o Messias é filho de Davi? 36 Pois o próprio Davi diz no Espírito Santo:
Disse o Senhor a meu Senhor:
senta-te à minha direita,
até que ponha teus inimigos
como apoio de teus pés.
37 Se o próprio Davi o chama de Senhor, como pode ele ser seu filho?”E a grande multidão o ouvia com prazer.
O castigo da ambição. 38 Jesus ensinava, dizendo: “Tomai cuidado com os escribas. Eles gostam de andar com roupas compridas, de ser saudados nas praças públicas, 39 de ocupar as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. 40 Devoram as casas das viúvas, a pretexto de longas orações. Eles terão sentença mais severa”.
A generosidade da viúva.41 Jesus estava sentado diante do cofre de esmolas e observava como o povo depositava as moedas. Muitos ricos depositavam muitas moedas. 42 Veio, então, uma pobre viúva e pôs no cofre apenas duas moedinhas no valor de alguns centavos. 43 Jesus chamou os discípulos e lhes disse: “Eu vos asseguro: esta pobre viúva deu mais do que todos os que depositaram no cofre. 44 Pois todos eles deram do que lhes sobrava; ela, porém, na sua indigência, deu tudo que tinha, todo o seu sustento”.

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Capítulo 11

 11
O povo proclama o Messias. 1 Quando estavam perto de Jerusalém, na altura de Betfagé e Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, 2 dizendo-lhes: “Ide ao povoado que está em frente. Logo que entrardes, encontrareis um jumentinho amarrado, que ainda não foi montado por ninguém. Desamarrai-o e trazei-o aqui. 3 E se alguém perguntar: ‘Por que fazeis isso!’, dizei-lhe: ‘O Senhor precisa dele, mas logo o devolverá’”. 4 Eles foram e acharam o jumentinho amarrado fora, em frente à porta, na curva do caminho, e o desamarraram. 5 Mas alguns dos que ali estavam lhes perguntaram: “O que estais fazendo? Por que desamarrais o jumentinho?”6 Os discípulos responderam como Jesus tinha dito, e eles os deixaram ir. 7 Conduziram o jumentinho até Jesus. Puseram os seus mantos sobre o animal, e Jesus o montou. 8 Muitos estendiam os seus mantos no caminho, outros espalhavam ramos que haviam cortado das árvores. 9 Tanto os que iam na frente, como os que seguiam atrás, gritavam:
Hosana!
Bendito quem vem em nome do Senhor.
10 Bendito o reino que vem, o reino de nosso pai Davi!
Hosana nas alturas! 
11 Jesus entrou em Jerusalém e foi ao Templo. Depois de ter observado tudo, e como já fosse tarde, saiu da cidade e foi para Betânia com os Doze.
A maldição da figueira. 12 No dia seguinte, ao saírem de Betânia, Jesus sentiu fome. 13 Viu de longe uma figueira coberta de folhas e foi ver se encontrava alguma coisa. Mas, nada encontrou a não ser folhas, pois não era tempo de figos. 14 Disse, então, à figueira: “Jamais alguém coma fruto de ti!”E seus discípulos ouviram isto.
A casa de oração. 15 Chegaram a Jerusalém. Entrando no Templo, Jesus começou a expulsar os que ali vendiam e compravam. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas.16 Não permitia que ninguém transportasse objetos pelo Templo. 17 E ensinava, dizendo-lhes: “Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações?  Vós, porém, fizestes dela um covil de ladrões !” 18 Tudo isso chegou aos ouvidos dos sumos sacerdotes e dos escribas que procuravam uma ocasião oportuna para matá-lo. Mas tinham medo dele, porque todo o povo se maravilhava de sua doutrina. 19 Quando caiu a noite, Jesus e os discípulos saíram da cidade.
A oração com fé. 20 Passando pela figueira na manhã seguinte, viram que ela tinha secado desde a raiz. 21 Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Mestre, olha como secou a figueira que amaldiçoaste!”22 Jesus respondeu: “Tende fé em Deus. 23 Eu vos asseguro: Quem disser a este monte: ‘sai daí e te joga ao mar’e não duvidar em seu coração mas acreditar que vai acontecer o que diz, assim acontecerá. 24 Por isso eu vos digo: Tudo o que pedirdes na oração, crede que o recebereis e vos será dado. 25 Mas, quando vos puserdes em oração, perdoai, se por acaso tiverdes alguma coisa contra alguém  , para que também vosso Pai que está no céu vos perdoe os pecados”.Origem da autoridade de Jesus. 27 Eles foram novamente a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no Templo, aproximaram-se os sumos sacerdotes, os escribas e os anciãos, 28 e lhe perguntaram: “Com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu o direito de fazer estas coisas?”29 Jesus respondeu-lhes: “Eu também vou fazer-vos uma pergunta. Respondei-me e eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 30 O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me!”31 Eles começaram a raciocinar entre si: “Se dissermos: ‘do céu’, ele dirá: ‘então por que não acreditastes nele?’ 32 E se dissermos: ‘dos homens’?”… Tinham medo da multidão, porque todos consideravam João um verdadeiro profeta. 33 Por fim responderam a Jesus: “Não sabemos”. E Jesus lhes disse: “Eu também não vos digo com que autoridade faço estas coisas!”

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Capítulo 10

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A dignidade do matrimônio. 1 Jesus saiu dali e foi para a região da Judéia e da Transjordânia. Pelo caminho a multidão voltou a segui-lo e, como era seu costume, de novo se pôs a ensiná-los. 2 Alguns fariseus chegaram e, para testá-lo, perguntaram-lhe se era permitido ao homem repudiar a mulher. 3 Ele lhes respondeu: “O que Moisés vos ordenou?”4 Eles disseram: “Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedir a mulher ”. 5 Jesus continuou: “Foi devido à dureza de vossos corações que ele vos deu esta lei. 6 Mas no princípio da criação Deus os fez homem e mulher. 7Por isso o homem deixará pai e mãe para unir-se à sua mulher, 8e os dois serão uma só carne . Assim, já não são dois, mas uma só carne. 9 Não separe, pois, o homem o que Deus uniu”. 10 De volta para casa, os discípulos perguntaram-lhe novamente sobre o mesmo assunto. 11 Jesus lhes respondeu: “Quem divorciar-se de sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira.12 E se a mulher se divorciar do marido e casar com outro, comete adultério”.
Jesus abençoa as crianças. 13 Alguns traziam a Jesus crianças para que as acariciasse, mas os discípulos os repreendiam. 14 Vendo isso, Jesus se aborreceu e lhes disse: “Deixai vir a mim as crianças e não as impeçais, pois o reino de Deus é daqueles que são como elas. 15 Eu vos asseguro: Quem não receber o reino de Deus como uma criança, jamais nele entrará”. 16 Jesus abraçava as crianças e as abençoava, impondo as mãos sobre elas.
O perigo das riquezas. 17 Quando Jesus se pôs de novo a caminho, alguém veio correndo, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom Mestre, o que devo fazer para ganhar a vida eterna?”18 Jesus respondeu-lhe: “Por que me chamas de bom? Ninguém é bom a não ser Deus! 19 Conheces os mandamentos: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não darás testemunho falso,  não prejudicarás ninguém, honra pai e mãe ”. 20 Ele disse: “Mestre, tudo isso eu tenho observado desde a minha juventude”. 21 Jesus olhou para ele com amor e disse: “Só te falta uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu  ; depois vem e segue-me”. 22 Mas ao ouvir isso, ele ficou triste e foi embora abatido, porque possuía muitos bens. 23 Jesus olhou em volta e disse aos discípulos: “Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus”. 24 Os discípulos se espantaram com estas palavras. Jesus, porém, insistiu: “Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! 25 É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”. 26 Eles ficaram ainda mais espantados e se perguntavam: “Então, quem pode salvar-se?”27 Jesus olhou para eles e disse: “Para os seres humanos isso é impossível, mas não para Deus; pois para Deus tudo é possível”.
A recompensa da renúncia. 28 Então Pedro começou a dizer-lhe: “Olha, nós abandonamos tudo e te seguimos”. 29 Jesus respondeu: “Eu vos asseguro: ninguém que deixou casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e do Evangelho, 30 deixará de receber já no tempo presente cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras no meio de perseguições, e no mundo vindouro, a vida eterna. 31 Mas muitos dos primeiros serão os últimos e dos últimos serão os primeiros”.
Terceiro anúncio da paixão. 32 Eles estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente, enquanto os que o seguiam estavam apreensivos e apavorados. Tomando novamente à parte os Doze, Jesus começou a falar-lhes das coisas que lhe haveriam de acontecer: 33 “Nós estamos subindo a Jerusalém e o Filho do homem será entregue aos sumos sacerdotes e escribas. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. 34 Zombarão dele, cuspirão nele, o açoitarão e o matarão, mas depois de três dias ele ressuscitará .
Ambição de Tiago e João. 35 Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram: “Mestre, queremos que nos faças o que te vamos pedir”. 36 Jesus lhes perguntou: “O que quereis que vos faça?” 37 Eles responderam: “Que nos sentemos um à tua direita, outro à tua esquerda na tua glória”. 38 Jesus, porém, lhes disse: “Não sabeis o que pedis! Podeis, acaso, beber o cálice que eu vou beber  ou ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado?” 39 “Podemos”, disseram eles. E Jesus prosseguiu: “Bebereis o cálice que eu vou beber e sereis batizados no batismo com que serei batizado ,40 mas assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não compete a mim conceder. É daqueles para quem foi preparado”. 41 Os outros dez, que ouviram isso, se aborreceram com Tiago e João. 42 Jesus, porém, os chamou e disse: “Sabeis que os que parecem governar as nações as oprimem e os grandes as tiranizam. 43 Entre vós, porém, não deve ser assim. Ao contrário, quem de vós quiser ser grande, seja vosso servidor; 44 e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. 45 Pois também o Filho do homem não veio para ser servido mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos”.
Um cego reconhece o Messias. 46 Chegaram a Jericó. Quando Jesus saía de Jericó com os discípulos e numerosa multidão, um cego estava sentado à beira do caminho pedindo esmolas. Era Bartimeu, o filho de Timeu. 47 Ao saber que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” 48 Muitos o repreendiam para que se calasse mas ele gritava ainda mais alto: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”49 Jesus parou e disse: “Chamai-o!”Eles chamaram o cego, dizendo-lhe: “Coragem! Levanta-te que ele te chama”. 50 Jogando para o lado o manto, levantou-se de um pulo e foi até Jesus. 51 Tomando a palavra, Jesus lhe perguntou: “O que queres que te faça?” O cego respondeu: “Mestre, eu quero ver de novo!”52 E Jesus lhe disse: “Vai, tua fé te curou!” No mesmo instante ele começou a ver de novo e se pôs a segui-lo pelo caminho.

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Capítulo 09

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1 E lhes disse : “Eu vos asseguro: alguns dos que aqui se encontram não morrerão antes de verem chegar com poder o reino de Deus”.
A transfiguração.2 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou a sós para um monte alto e afastado. E transfigurou-se diante deles. 3 Suas vestes ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira do mundo as pode branquear. 4 Apareceram-lhes Elias e Moisés conversando com Jesus. 5 Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui! Vamos levantar três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias”. 6 É que não sabia o que dizer, pois eles estavam com muito medo. 7 Formou-se então uma nuvem que os envolveu. E da nuvem uma voz se fez ouvir: “Este é o meu Filho amado, escutai-o”. 8 De repente, eles olharam ao redor e não viram mais ninguém, a não ser Jesus com eles. 9 Ao descerem do monte, Jesus proibiu-lhes contar  a quem quer que fosse o que tinham visto, antes de o Filho do homem ter ressuscitado dos mortos.10 Eles guardaram a recomendação, mas discutiam entre si o que significaria “ressuscitar dos mortos”. 11 E lhe perguntaram: “Por que os escribas dizem que primeiro deve vir Elias?” 12 Ele lhes respondeu: “De fato, primeiro Elias deve vir e restabelecer tudo. Mas como, então, está escrito que o Filho do homem deve sofrer muito e ser desprezado? 13 Eu, porém, vos digo que Elias já veio e fizeram com ele o que quiseram, como está escrito a respeito dele”.
O epiléptico endemoninhado. 14 Quando chegaram perto dos outros discípulos, viram uma grande multidão em volta deles e os escribas discutindo com eles. 15 Ao ver Jesus, todo aquele povo ficou surpreso e correu para saudá-lo. 16 Jesus lhes perguntou: “O que estais discutindo com os escribas?”17 Alguém da multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe para ti meu filho que tem um espírito mudo. 18 Onde quer que o espírito se apodere dele, joga-o no chão. Ele espuma, range os dentes e fica rígido. Pedi a teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram”. 19 Jesus respondeu-lhes: “Ó gente incrédula, até quando estarei convosco? Até quando terei de suportar-vos? Trazei-o aqui!”20 E eles o trouxeram. Assim que o menino avistou Jesus, o espírito sacudiu-o violentamente. Ele caiu no chão e espumava entre convulsões. 21 Jesus perguntou ao pai: “Há quanto tempo lhe acontece isso?” Este lhe respondeu: “Desde a infância; 22 muitas vezes já o atirou no fogo e na água, para o matar. Se podes fazer alguma coisa, tem piedade de nós e ajuda-nos”. 23 Jesus, porém, lhe disse: “Se podes!… Tudo é possível para quem tem fé!” 24 Imediatamente o pai do menino exclamou: “Eu creio, mas ajuda minha falta de fé”. 25 Ao ver que o povo se ajuntava, Jesus esconjurou o espírito impuro e disse: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai deste menino e não voltes a entrar nele”. 26 Gritando e maltratando muito o menino, o espírito saiu. O menino ficou como morto de modo que muitos diziam: “Morreu”. 27 Jesus, porém, tomando-o pela mão, ergueu-o e ele se levantou. 28 Quando Jesus entrou em casa, os discípulos perguntaram-lhe em particular: “Por que nós não pudemos expulsá-lo?”29 Jesus lhes disse: “Esta espécie de demônio não se pode expulsar senão pela oração”.
Segundo anúncio da paixão. 30 Saindo dali, eles atravessaram a Galiléia. Jesus não queria que alguém o soubesse. 31 Ensinava os seus discípulos, dizendo-lhes: “O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão; mas depois de três dias ele ressuscitará”. 32 Eles, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de lhe perguntar.
A grandeza está no servir. 33 Chegaram a Cafarnaum. Em casa, Jesus lhes perguntou: “O que era que discutíeis no caminho?”34 Eles se calaram porque no caminho tinham discutido quem seria o maior. 35 Então Jesus sentou-se, chamou os Doze e lhes disse: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último e o servo de todos”. 36 Depois pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse-lhes: 37 “Quem receber uma destas crianças em meu nome, é a mim que recebe  ; e quem me recebe, não é a mim que recebe, mas aquele que me enviou”.
O uso do nome de Jesus. 38 João lhe disse: “Mestre, vimos alguém expulsar demônios em teu nome e o proibimos, porque não nos segue”. 39 Jesus, porém, disse: “Não o proibais, pois não há ninguém que faça um milagre em meu nome e fale mal de mim. 40 Quem não está contra nós está a nosso favor. 41 E quem vos der um copo de água porque sois de Cristo, em verdade vos digo, não perderá sua recompensa.
O escândalo. 42 E quem escandalizar um destes pequeninos que crêem, melhor seria para ele se lhe atassem uma pedra de moinho ao pescoço e o jogassem no mar. 43 Se tua mão for para ti ocasião de pecado, corta-a. É melhor entrares na vida aleijado do que com duas mãos ires para o inferno  , o fogo que não se apaga.45 Se teu pé for para ti ocasião de pecado, corta-o. É melhor entrares na vida coxo do que com dois pés seres jogado no inferno. 47 E se teu olho for para ti ocasião de pecado, arranca-o. É melhor entrares com um só olho no reino de Deus do que com dois seres lançado no inferno, 48onde o verme não morre e o fogo não se apaga. 49 Pois todos hão de ser salgados  pelo fogo. 50 Coisa boa é o sal. Mas se o sal perder o gosto salgado, com que lhe restituireis o sabor? Tende, pois, sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros”.

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Capítulo 08

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Nova multiplicação de pães. 1 Por aqueles dias, como novamente havia uma grande multidão, e não tinham o que comer, Jesus chamou os discípulos e lhes disse: 2 “Estou com pena do povo porque há três dias estão comigo e não têm o que comer. 3 Se os despedir em jejum, desmaiarão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe!”4 Os discípulos lhe perguntaram: “Como alguém poderá saciá-los com pão aqui num lugar desabitado?”5 Mas Jesus lhes perguntou: “Quantos pães tendes?”“Sete”, responderam. 6 Então mandou o povo assentar-se no chão. Tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e deu aos discípulos para os distribuírem. E eles os distribuíram ao povo. 7 Tinham também alguns peixinhos. Ele os abençoou e mandou também distribuir. 8 Comeram e ficaram saciados. E dos pedaços que sobraram recolheram sete cestos. 9 Havia umas quatro mil pessoas. Em seguida Jesus os despediu.
Os fariseus pedem um sinal. 10 Jesus entrou logo no barco com os discípulos e foi para a região de Dalmanuta. 11 Apareceram os fariseus e começaram a discutir com ele e, para testá-lo, pediam-lhe um sinal do céu. 12 Com um profundo suspiro, Jesus disse: “Por que esta gente busca um sinal do céu?  Eu vos asseguro que não lhe será dado nenhum sinal”. 13 E, deixando-os, Jesus entrou de novo no barco e se dirigiu para a outra margem.
O fermento dos fariseus. 14 Os discípulos tinham esquecido de trazer pães consigo e só havia um pão no barco. 15 E Jesus os advertia: “Abri os olhos e tomai cuidado com o fermento dos fariseus  e com o fermento de Herodes”. 16 Eles discutiam entre si por não terem trazido pão. 17 Jesus o percebeu e lhes disse: “Por que discutis, por não terdes trazido pão? Ainda não entendeis nem compreeendeis? Ainda tendes a mente embotada?  18Tendo olhos, não vedes e tendo ouvidos, não ouvis? Já não vos lembrais 19 de quando parti os cinco pães para os cinco mil homens, nem de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes?”E eles lhe disseram: “Doze”. 20 “Quando parti os sete pães para quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes?”E lhe responderam: “Sete”. 21 Então Jesus lhes disse: “Como é que ainda não entendeis?”
O cego de Betsaida.22 Chegando a Betsaida, trouxeram-lhe um cego e lhe suplicaram que o tocasse. 23 Jesus tomou o cego pela mão e o levou para fora do povoado. Aplicou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e lhe perguntou: “Vês alguma coisa?” 24 O cego levantou os olhos e respondeu: “Olho para as pessoas e as vejo como árvores que andam”. 25 A seguir Jesus lhe impôs de novo as mãos sobre os olhos e ele começou a enxergar claramente. Ficou curado e podia ver tudo, mesmo de longe. 26 Jesus o mandou para casa, dizendo: “Nem penses em entrar no povoado”.

III. INSTRUÇÃO DOS DISCÍPULOS SOBRE CRISTO E SEU REINO

Pedro professa a fé em Cristo. 27 Jesus ia com os discípulos para os povoados de Cesaréia de Filipe e no caminho lhes perguntou: “Quem as pessoas dizem que eu sou?”28 Eles lhe responderam: “Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros, ainda, um dos profetas”. 29 Então Jesus perguntou-lhes: “E vós, quem dizeis que eu sou?”Pedro respondeu: “Tu és o Cristo”. 30 E proibiu-lhes severamente falar sobre ele a quem quer que fosse.
Primeiro anúncio da paixão. 31 Então começou a ensinar-lhes que o Filho do homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, que devia ser morto  e ressuscitar depois de três dias. 32 E falava disso abertamente. Pedro levou-o para um lado e se pôs a repreendê-lo. 33 Mas Jesus voltou-se e, olhando para os discípulos, repreendeu Pedro e disse: “Afasta-te de mim, Satanás, porque não tens senso para as coisas de Deus, mas para as dos homens”.
Seguir a Cristo e tomar a cruz. 34 Jesus convocou em seguida o povo com os discípulos e lhes disse: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.35 Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por amor de mim e pela causa do Evangelho, há de salvá-la. 36 O que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, se vier a se prejudicar? 37 Ou, o que se pode dar em troca da própria vida? 38 Porque, se alguém se envergonhar de mim e de minhas palavras diante desta geração adúltera e pecadora, também o Filho do homem se envergonhará dele quando chegar na glória do Pai com os santos anjos”.

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Capítulo 07

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A falsa pureza. 1 Os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém, tinham-se reunido em torno dele. 2 Viram que alguns dos discípulos comiam pão com mãos impuras, isto é, sem as lavar. 3 É que os fariseus e os judeus em geral, apegando-se à tradição dos antigos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos. 4 Quando voltam do mercado, não comem sem antes se purificar, e muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar copos, pratos e panelas. 5 Os fariseus e escribas perguntaram, pois, a Jesus: “Por que teus discípulos não seguem a tradição dos antigos e comem o pão com mãos impuras?”6 Jesus lhes respondeu: “Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, quando escreveu:
Este povo me honra com os lábios
mas o coração está longe de mim;
7em vão me prestam culto,
ensinado doutrinas e preceitos humanos.
8 Deixando de lado o mandamento de Deus, vós vos apegais à tradição dos homens”. 9 E Jesus acrescentou: “Na verdade, anulais o mandamento de Deus para firmar a vossa tradição. 10 Pois Moisés disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’ e ‘aquele que amaldiçoar o pai ou a mãe seja morto’. 11 Mas vós dizeis: ‘Se alguém disser ao pai ou à mãe: tudo com que poderia ajudar-te é Corban, isto é, oferta a Deus’,12 já não o deixais fazer coisa alguma em favor do pai ou da mãe. 13 Anulais assim a palavra de Deus com a vossa própria tradição; e coisas como estas fazeis muitas”.
A verdadeira pureza. 14 Jesus chamou novamente o povo e disse: “Ouvi-me todos e entendei. 15 Nada que vem de fora de uma pessoa pode torná-la impura. O que sai de dentro de uma pessoa é que a torna impura. 16 Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça!”17 Quando deixou o povo e entrou em casa, os discípulos perguntaram sobre essa parábola. 18 Jesus lhes respondeu: “Também vós ainda não compreendeis? Não sabeis que tudo o que de fora entra em alguém não pode torná-lo impuro, 19 porque não entra no coração mas no estômago e daí sai para o esgoto?”E assim Jesus declarava puro todo alimento. 20 E acrescentou: “O que sai da pessoa, porém, é o que a torna impura. 21 Pois é do interior do coração das pessoas que provêm os maus pensamentos, a prostituição, os roubos, os homicídios, 22 os adultérios, as cobiças, as perversidades, a fraude, a desonestidade, a inveja, a calúnia, o orgulho e a insensatez. 23 Todos estes vícios vêm de dentro e tornam a pessoa impura”.
A fé da cananéia. 24 Jesus partiu dali e foi para os arredores da cidade de Tiro. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse, mas não conseguiu ficar escondido. 25 Pois logo em seguida, uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar dele, entrou na casa e caiu-lhe aos pés. 26 Era uma mulher pagã de origem siro-fenícia. Ela pedia que Jesus expulsasse o demônio de sua filha. 27 Ele lhe disse: “Deixa que primeiro se fartem os filhos, porque não fica bem tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”. 28 Mas ela respondeu: “É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas dos filhos”. 29 Então Jesus lhe falou: “Em atenção ao que disseste, vai, o demônio saiu de tua filha”. 30 E ela, chegando em casa, encontrou a menina deitada na cama. O demônio havia saído.
A cura do surdo-mudo. 31 Jesus deixou os arredores da cidade de Tiro, passou por Sidônia e foi para o mar da Galiléia, atravessando o território da Decápole. 32 Trouxeram-lhe um surdo-mudo, pedindo que lhe impusesse as mãos.33 Levando-o à parte, longe da multidão, colocou-lhe os dedos nos ouvidos, cuspiu e lhe tocou a língua com saliva.34 Levantou os olhos para o céu  , suspirou e disse: Effatá,  que quer dizer: Abre-te. 35 Imediatamente os ouvidos dele se abriram, soltou-se a língua e ele começou a falar perfeitamente. 36 Proibiu-lhes de falar disso a alguém. Mas quanto mais lhes proibia, tanto mais eles divulgavam o fato. 37 E muito admirados, diziam: “Fez bem todas as coisas; fez os surdos ouvir e os mudos falar”.

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