14
IV. HUMILHAÇÃO E GLÓRIA DO FILHO DE DEUSAs autoridades conspiram. 1 Dois dias depois era a festa da Páscoa e dos Pães sem Fermento. Os sumos sacerdotes e os escribas procuravam uma ocasião para prender Jesus à traição e matá-lo. 2 Eles diziam: “Não seja durante a festa, para não haver tumulto entre o povo”.
A unção em Betânia. 3 Jesus estava à mesa, em Betânia, na casa de Simão, o leproso, quando chegou uma mulher com um vaso feito de alabastro, cheio de perfume de nardo legítimo, de grande valor. Quebrando o vaso de alabastro, derramou-lhe o perfume na cabeça. 4 Alguns, porém, ficaram indignados e comentavam: “Para que tanto desperdício de perfume? 5 Poderia ser vendido por mais de trezentas moedas de prata para distribuí-las aos pobres”. E reclamavam dela. 6 Jesus, porém, disse: “Deixai-a em paz! Por que a incomodais? Ela fez uma boa ação para comigo. 7 Porque pobres sempre os tendes convosco e podeis fazer-lhes o bem quando quiserdes. A mim não me tendes sempre. 8 Ela fez o que pôde: ungiu meu corpo com antecipação para a sepultura. 9 Eu vos asseguro que, em qualquer parte do mundo onde o Evangelho for anunciado, será também contado, em sua memória, o que ela fez”.
O traidor. 10 Judas Iscariotes, um dos Doze, foi falar com os sumos sacerdotes, para lhes entregar Jesus. 11 Ao ouvirem isso, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E Judas buscava a ocasião oportuna para entregá-lo.
A Páscoa com os discípulos. 12 No primeiro dia da Festa dos Pães sem Fermento, quando se sacrificava o cordeiro pascal , perguntaram-lhe os discípulos: “Onde queres que te preparemos tudo para comeres a Ceia da Páscoa?”13 Jesus enviou dois dos discípulos, dizendo: “Ide à cidade, e virá ao vosso encontro um homem carregando um cântaro de água. Segui-o 14 e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: ‘O Mestre pergunta: onde está a sala em que vou comer a Ceia da Páscoa com os meus discípulos?’15 Ele vos mostrará uma grande sala mobiliada e pronta. Fazei ali os preparativos para nós”. 16 Os discípulos foram até a cidade. Acharam tudo como Jesus lhes havia dito e prepararam a Ceia da Páscoa.
17 Chegada a tarde, Jesus dirigiu-se para lá com os Doze. 18 Enquanto estavam à mesa e comiam, Jesus disse: “Eu vos asseguro: um de vós, que come comigo, há de me entregar”. 19 Começaram a ficar tristes, e um depois do outro lhe perguntou: “Por acaso serei eu?”20 Jesus respondeu-lhes: “É um dos Doze, que põe comigo a mão no prato. 21 Na verdade, o Filho do homem segue o seu caminho como dele está escrito; mas ai daquele por quem o Filho do homem for traído! Melhor seria para esse homem não ter nascido”.
Jesus institui a Eucaristia. 22 Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e pronunciou a bênção. Depois partiu o pão e deu-lhes , dizendo: “Tomai, isto é o meu corpo”. 23 Em seguida, tomando um cálice, depois de dar graças, entregou-lhes, e todos beberam. 24 Ele lhes disse: “Isto é o meu sangue da Aliança, derramado por muitos. 25 Eu vos asseguro: Já não beberei do fruto da videira até o dia em que beberei vinho novo no reino de Deus”.
Pedro negará Jesus. 26 Depois de terem cantado os salmos, saíram para o monte das Oliveiras. 27 Jesus lhes disse: “Todos ficareis decepcionados comigo, porque está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão. 28 Mas, depois de ressuscitar, irei à vossa frente para a Galiléia”.29 Pedro, porém, lhe disse: “Ainda que todos fiquem decepcionados contigo, eu nunca”. Jesus lhe disse: “Eu te asseguro que hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante pela segunda vez, já me terás negado três vezes”. 31 Mas Pedro repetia com maior insistência: “Ainda que eu tenha de morrer contigo, não te negarei”. E todos diziam o mesmo.
Agonia de Jesus no Getsêmani. 32 Chegaram a um sítio chamado Getsêmani e Jesus disse a seus discípulos: “Sentai-vos aqui enquanto vou orar”. 33 Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a sentir medo e angústia, 34 e lhes disse: “Minha alma está triste até à morte. Ficai aqui e vigiai”.35 Adiantou-se um pouco, caiu por terra e pedia que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. 36 Ele dizia: “Abba, Pai , tudo te é possível: afasta de mim este cálice, mas não seja o que eu quero, senão o que tu queres”. 37 Voltou e encontrou os discípulos dormindo e disse a Pedro: “Simão, dormes? Não foste capaz de vigiar uma hora? 38 Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto mas a carne é fraca”. 39 Afastou-se de novo e orou dizendo as mesmas palavras. 40 Voltou outra vez e achou-os dormindo, porque tinham os olhos pesados de sono; eles não sabiam o que responder. 41 Voltou pela terceira vez e disse-lhes: “Dormi agora e descansai… Basta! Chegou a hora. O Filho do homem será entregue às mãos dos pecadores. 42 Levantai-vos! Vamos! Já se aproxima quem me vai entregar”.
Jesus é traído e preso. 43 Jesus ainda estava falando, quando chegou Judas, um dos Doze, junto com um bando armado de espadas e cacetes, enviado pelos sumos sacerdotes, escribas e anciãos. 44 O traidor lhes tinha dado esta senha: “Aquele a quem eu beijar é Jesus; prendei-o e levai-o com cuidado”. 45 Tão logo chegou, Judas aproximou-se de Jesus e disse: “Mestre!”E o beijou. 46 Eles agarraram Jesus e o prenderam. 47 Um dos presentes tirou da espada, feriu o escravo do Sumo Sacerdote, decepando-lhe a orelha. 48 Mas Jesus tomou a palavra e lhes disse: “Saístes para prender-me como se eu fosse um ladrão, com espadas e cacetes? 49 Todos os dias estava convosco, ensinando no Templo , e não me prendestes. Mas isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras”. 50 Então todos o abandonaram e fugiram. 51 Um jovem, envolto apenas num lençol de linho, estava seguindo Jesus, e eles o prenderam. 52 Mas ele largou o lençol e fugiu nu.Jesus condenado pelo tribunal. 53 Conduziram Jesus à casa do Sumo Sacerdote, onde se reuniram todos os sumos sacerdotes, escribas e anciãos. 54 Pedro seguiu Jesus de longe, até dentro do pátio do Sumo Sacerdote. Sentou-se com os guardas junto ao fogo e se aquecia. 55 Os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus, para condená-lo à morte, mas não o achavam. 56 Muitos apresentavam falsos testemunhos contra Jesus, mas os depoimentos não concordavam. 57 Levantaram-se, então, alguns que deram o seguinte falso testemunho: 58 “Ouvimos Jesus dizer: ‘Eu destruirei este Santuário feito por mãos humanas e em três dias edificarei outro que será feito não por mãos humanas’”. 59 Mas nem neste ponto eram coerentes os depoimentos.
60 Então o Sumo Sacerdote levantou-se no meio da reunião e perguntou a Jesus: “Nada respondes ao que estes depõem contra ti?”61 Jesus, porém, permanecia calado e nada respondia. O Sumo Sacerdote tornou a perguntar: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus bendito?” 62 Jesus respondeu:
“Eu sou!
E vereis o Filho do homem
sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu ”.
63 Então o Sumo sacerdote rasgou as vestes e exclamou: “Que necessidade temos de mais testemunhas? 64 Ouvistes a blasfêmia. O que vos parece?” E todos o julgaram merecedor de morte. 65 Alguns começaram a cuspir nele, cobriam-lhe o rosto e o esbofeteavam, dizendo: “Adivinha!”Os guardas também lhe davam bofetadas.
A negação de Pedro. 66 Pedro estava embaixo, no pátio. Chegou, então, uma das criadas do Sumo Sacerdote. 67 Ela fixou os olhos em Pedro, que se aquecia, e disse: “Tu também estavas com Jesus de Nazaré”. 68 Ele, porém, negou: “Não sei, nem mesmo compreendo o que dizes”. Depois ele afastou-se para a entrada do pátio; nisso o galo cantou. 69 A criada o viu de novo e começou a dizer aos presentes: “Este homem faz parte do grupo deles”. 70 Mas Pedro negou pela segunda vez. Pouco depois, os que ali se encontravam disseram de novo a Pedro: “De fato, tu és um deles, pois és galileu”. 71 Então Pedro começou a praguejar e a jurar: “Não conheço o homem de quem estais falando”. 72 Neste instante o galo cantou pela segunda vez. Pedro lembrou-se então das palavras que Jesus lhe tinha dito: “Antes que o galo cante duas vezes, tu me terás negado três vezes”. Então, caindo em si, Pedro começou a chorar.